O Brasil tem cerca de 10 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco. O maior estudo já realizado sobre o tema aponta 8,2 milhões em situação vulnerável — número equivalente à soma das populações de Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador.
Não se trata de escolha, mas de falta de alternativa. A ocupação de encostas e margens de córregos é consequência direta do déficit habitacional e da ausência de planejamento urbano eficaz.
A política pública, quase sempre, é reativa. Só age depois da tragédia, não antes dela. A remoção coercitiva só é permitida quando o risco de morte é iminente — e ainda assim não resolve o problema estrutural.
Especialistas defendem políticas de Estado permanentes, não programas episódicos. Moradia segura é direito constitucional.
Rio Grande do Sul, Ubá, São João Del Rei e mil lugares por aí. Enquanto milhões dormem sob ameaça de deslizamentos e enchentes, o país revela uma chaga social que não pode mais ser tratada como fatalidade climática.
É escolha política. (LCB)