O controle da venda de farinha de trigo por grupos criminosos (milícias e tráfico de drogas) no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense tem provocado um aumento direto no preço do pão francês, prática que ficou conhecida como “taxa da farinha”.
Os criminosos obrigam os donos de padarias e mercearias a comprar a farinha diretamente deles, proibindo a compra de fornecedores habituais. A farinha vendida pelo crime é mais cara e, muitas vezes, de qualidade inferior. Com a matéria-prima custando mais caro, o comerciante é forçado a repassar o custo ao consumidor, encarecendo o pão francês. Em áreas de Belford Roxo, por exemplo, o saco de farinha que custaria entre R$60 e R$70 no mercado atacadista é vendido pelo tráfico por cerca de R$100 ou mais.
Comerciantes que se recusam a comprar dos grupos criminosos ou tentam comprar de fora sofrem ameaças, têm seus estabelecimentos fechados ou são extorquidos, sendo obrigados a pagar uma “taxa” extra de 10% sobre o valor da mercadoria comprada de terceiros. A violência atingiu um nível grave, com registro de homicídios de padeiros que se recusaram a pagar a taxa da farinha imposta por milicianos na Zona Oeste do Rio.
Essa exploração territorial se estende por diversas áreas, incluindo favelas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP) e regiões controladas por milícias, afetando não apenas a farinha, mas outros produtos industrializados e serviços básicos.