A filiação do senador Sergio Moro ao Partido Liberal provocou uma forte reação interna no Paraná e desencadeou a saída em massa de prefeitos da sigla. Ao menos 45 dos 52 gestores municipais anunciaram, de forma coordenada, o desligamento do partido nesta quinta-feira (26), em Curitiba.
O movimento é uma resposta direta à decisão do PL de lançar Moro como pré-candidato ao governo estadual, em confronto com o atual governador Ratinho Júnior (PSD), que mantém ampla base de apoio entre os prefeitos.
“Não soltaremos a mão do governador Ratinho”, afirmaram lideranças municipais, em sinal claro de alinhamento político e administrativo. A avaliação predominante é de que a decisão partidária foi tomada sem consenso da ala paranaense.
A crise também atingiu a estrutura do partido no estado. O então presidente estadual do PL, deputado federal Fernando Giacobo, deixou o cargo e a legenda. Em seu lugar, assumiu o deputado Filipe Barros, aliado de Moro e possível candidato ao Senado em sua chapa.
Com aprovação elevada — superior a 85%, segundo pesquisas recentes — Ratinho Júnior consolida-se como polo de atração para os dissidentes, embora o destino partidário do grupo ainda não esteja oficialmente definido.
O episódio revela mais do que uma troca de siglas: expõe um embate entre estratégia nacional e realidade regional — e sinaliza que, no Paraná, a fidelidade política pode falar mais alto que a disciplina partidária.