O governo federal abriu uma nova frente de negociação com os estados ao propor a divisão de um subsídio para o diesel importado, numa tentativa de conter a alta dos combustíveis sem mexer diretamente no ICMS. A ideia, apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, prevê um abatimento de R$ 1,20 por litro — metade bancada pela União e metade pelos estados.
Pelo desenho proposto, cada lado arcaria com R$ 0,60 por litro. O alvo é específico: o diesel importado, cuja variação de preço acompanha o mercado internacional e pressiona os custos internos, sobretudo no transporte e na cadeia produtiva.
A proposta surge após o fracasso das tratativas para zerar o ICMS sobre o diesel. Os estados resistiram à perda de arrecadação, considerada sensível para o equilíbrio fiscal. Agora, o governo tenta um meio-termo, dividindo o ônus político e financeiro da medida.
Mas o plano esbarra em dois obstáculos relevantes. O primeiro é fiscal: governadores já sinalizam resistência em assumir parte da conta, o que pode comprometer a adesão. O segundo é técnico: há dificuldade prática em diferenciar, na bomba, o diesel importado do nacional — condição essencial para aplicar o subsídio de forma correta.
A iniciativa se soma a outras tentativas recentes do governo de suavizar o impacto dos combustíveis, combinando medidas fiscais e monitoramento de preços. Ainda assim, o cenário é de incerteza.
Nos bastidores, a tendência majoritária entre os estados é de recusa, o que amplia o risco de um novo impasse federativo. Mais do que uma solução imediata, o episódio revela o limite das alternativas de curto prazo diante de um problema estrutural: a dependência externa e a volatilidade do mercado de energia.
No fim das contas, o diesel continua sendo não apenas um combustível — mas um termômetro político e econômico do país.