Luiz Carlos Bordoni
A disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa, desta vez, tem contornos que vão além da política. Ela passa pela família, pela história recente da cidade e, sobretudo, pelo julgamento silencioso — e soberano — do eleitor.
De um lado, dois primos: Jamil Calife e Gustavo Sebba. Inimigos cordiais, daqueles que a política produz com frequência — convivem, disputam, mas carregam entre si uma rivalidade que o tempo não dissolveu. Ambos têm trajetória, ambos têm serviços prestados. Representam, cada um a seu modo, uma vertente da política local.
No meio desse tabuleiro, surge um nome que dispensa apresentação: Adib Elias. Prefeito das mil obras, gestor reconhecido, figura central da vida pública de Catalão nas últimas décadas. Um político que já provou sua capacidade tanto no Executivo quanto no Legislativo.
Perguntam: tem chance? Tem. E não são pequenas.
Mas a política — essa ciência imperfeita — não se move apenas por mérito. Move-se por circunstâncias, alianças e, às vezes, por rupturas. E foi justamente um cisma interno que reduziu o campo natural de apoio de Adib. A força que o consagrou, em algum momento, também se fragmentou.
Ainda assim, é preciso dizer com clareza: trata-se de um dos maiores gestores que esta cidade já conheceu. Sua história não cabe em simplificações nem em paixões momentâneas.
Há, porém, um dado que poucos dizem em voz alta: esta pode ser sua última grande travessia eleitoral. A política também tem seu tempo — e ele não costuma esperar. Projetos futuros, como uma eventual volta ao Executivo, tornam-se mais complexos com o passar dos anos e com as exigências de um mandato legislativo.
E aqui reside uma reflexão mais profunda. O eleitor não escolhe apenas nomes; escolhe ciclos. Decide quem continua, quem retorna e quem encerra sua caminhada pública com ou sem reconhecimento.
Catalão já viu esse filme. E, por vezes, não foi generosa com aqueles que muito fizeram.
No fim, há três bons nomes na disputa. Três histórias, três estilos, três caminhos possíveis. A decisão não será sobre quem é perfeito — porque nenhum é —, mas sobre quem melhor representa o momento da cidade.
A política, quando bem compreendida, não é um duelo de afetos nem de ressentimentos. É, antes de tudo, um exercício de escolha. E essa escolha — felizmente — ainda pertence ao povo.