No palanque cheio, uma ausência falou mais alto do que qualquer discurso. O deputado Gustavo Gayer lançou sua pré-candidatura ao Senado com casa lotada, aliados de peso e transmissão com direito a participação de Flávio Bolsonaro. Mas faltou o principal nome do partido em Goiás: Wilder Morais, pré-candidato ao governo. E não foi só ausência física — não houve citação, imagem ou gesto. Silêncio total.
O evento, batizado de “Acordo Goiás”, reuniu nomes como Nikolas Ferreira, Magda Moffato e o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa. Público grande, estrutura organizada, narrativa alinhada. Mas, politicamente, o que mais chamou atenção foi o que não estava lá: unidade partidária.
Nos bastidores, o ruído já é antigo. Gayer chegou a participar de conversas que apontavam para uma possível aproximação com o grupo de Daniel Vilela. Wilder, por sua vez, mantém seu projeto próprio ao governo. O resultado é um PL dividido entre caminhos que não se cruzam — pelo menos por enquanto.
A presença virtual de Flávio Bolsonaro reforça o peso nacional do ato, mas não resolve a equação local. Porque eleição estadual se constrói com palanque inteiro, não com metade. E, neste momento, o PL goiano parece jogar em campos diferentes.
No fim, o retrato é claro: muito público, muito discurso… e pouca convergência.
E quando um partido precisa explicar quem não foi convidado, é porque a união — essa, sim — ainda não foi sequer lançada.
Gayer lança pré-candidatura sem Wilder
Nikolas e Gayer em evento do "Acorda, Goiás", ontem, em Goiânia (Divulgação)