Uma equipe de historiadores, arqueólogos e arquitetos encontrou a sala onde foi montada a farsa da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, no DOI-Codi, centro de repressão que funcionava na região central de São Paulo.
O local exato da encenação era um enigma que durava mais de 50 anos.
A descoberta foi possível após a análise de estruturas do prédio, como paredes, piso e teto, e o cruzamento dessas informações com registros históricos e imagens da época. Segundo os pesquisadores, o som oco de uma parede ajudou a revelar um espaço escondido e levou à identificação do ambiente.
Durante as escavações, os pesquisadores encontraram marcas feitas por um prisioneiro para contar os dias no cárcere. Os registros estavam escondidos sob camadas de tinta e azulejo.
Na década de 1980, o edifício passou por reformas para abrigar o Instituto de Criminalística, o que alterou parte das estruturas originais.
O maior desafio da equipe foi identificar a sala onde foi tirada a imagem que se tornou símbolo da ditadura.
A foto mostra o corpo de Vladimir Herzog pendurado pelo pescoço na grade de uma janela. A cena foi montada para sustentar a versão oficial de suicídio.
Na realidade, o jornalista foi torturado e morto no DOI-Codi. Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura e havia sido convocado a prestar depoimento.
Identificado o cenário onde a ditadura matou Herzog
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