Vladimir Safatle e o fascismo como violência social

O filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo (USP), lança um livro que promete provocar debate e reflexão: A Ameaça Interna — Psicanálise dos Novos Fascismos Globais, publicado pela Ubu Editora. Filho do catalaníssimo Fernando Safatle, Vladimir volta ao centro das discussões nacionais com uma tese que não admite meias palavras.
Para ele, o que estamos vendo no mundo não é uma simples metáfora histórica nem um “eco” distante dos anos 1930. “O fascismo não é uma marcha à ré”, afirma. Segundo o autor, trata-se do próprio fenômeno, agora moldado pelas condições do neoliberalismo contemporâneo.
No livro, Safatle sustenta que o fascismo não surge como acidente ou irracionalidade coletiva, mas como forma específica de violência social. Uma violência que se instala por meio da transformação dos afetos: a indiferença, a dessensibilização, a normalização do sofrimento alheio.
A partir de leituras de Freud, Lacan e Adorno, o filósofo propõe que a centralidade extrema do “eu” — tão celebrada nas sociedades neoliberais — guarda vínculos estruturais com dinâmicas autoritárias. Mais que um fenômeno político isolado, ele fala em “fascismo estrutural”, que emerge com força em tempos de crise.
A “Ameaça Interna” recoloca no debate público uma pergunta incômoda: que tipo de sociedade estamos produzindo quando naturalizamos o medo, o ódio e a indiferença? Um livro que não busca conforto — mas consciência.

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