A transformação do antigo Hospital Regional de Catalão em Hospital Universitário trouxe não apenas avanços para a saúde pública, mas também uma polêmica que ganhou força nos bastidores políticos e administrativos: a manutenção — ou não — do nome “Adib Elias” na unidade.
Desde 30 de dezembro de 2025, o hospital deixou de ser um equipamento municipal e passou oficialmente para a gestão da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), integrando a rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Com isso, o imóvel passou a ser patrimônio da União, o que altera de forma decisiva as regras sobre sua denominação.
A questão central envolve a Lei Federal nº 6.454/1977, que proíbe a atribuição de nome de pessoa viva a bens públicos federais. Nesse contexto, o uso do nome “Adib Elias” — ainda que, segundo a justificativa original, em homenagem ao pai do ex-prefeito homônimo — enfrenta restrições legais. O entendimento predominante é de que a coincidência de nomes (homonímia) não afasta o princípio da impessoalidade, já que pode gerar associação direta com o agente político em atividade.
A controvérsia foi reforçada por denúncias apresentadas por partidos políticos, que questionaram a legalidade da homenagem e apontaram possível promoção pessoal em um equipamento público federal. Diante disso, a própria universidade e sua diretoria passaram a adotar, de forma mais consistente, a nomenclatura institucional: Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), alinhada ao padrão da rede federal “HU Brasil”.
Do ponto de vista jurídico, a mudança é respaldada pela transferência de propriedade. Com a escritura pública e a federalização, cabe agora à UFCAT definir oficialmente o nome e a identidade visual da unidade, desde que respeitadas as normas federais. Leis municipais anteriores, nesse caso, perdem efeito sobre o bem.
Apesar disso, o nome “Adib Elias” ainda aparece em parte do letreiro, mantido por solicitação do prefeito Velomar Rios, o que evidencia que a questão ainda não está totalmente pacificada. Entre o reconhecimento histórico e as exigências legais, o hospital se torna também palco de um debate sobre limites entre homenagem e interesse público.
Enquanto isso, a unidade avança para cumprir seu papel principal: ampliar o atendimento de média e alta complexidade e consolidar-se como referência regional em saúde e formação médica.
Hospital Universitário de Catalão: mudança de nome gera debate
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