O Brasil sempre foi o país da Copa. Não importa se o dólar sobe, se o ônibus atrasa ou se a conta não fecha no fim do mês. Chega o Mundial, o brasileiro veste a camisa e acredita. Ou acreditava.
Agora vem o Datafolha e joga um balde de água fria: mais da metade dos brasileiros simplesmente não está interessada. Não é revolta, não é protesto. É pior. É indiferença.
E Copa sem emoção é como carnaval sem samba: até acontece, mas ninguém leva muito a sério.
No meio desse silêncio, surge a pergunta que há pouco tempo seria heresia: e o Neymar, vai ou não vai? Curioso. Antes, a dúvida era se ele carregaria o Brasil. Agora, parece que é o Brasil que não sabe se ainda quer ser carregado.
Neymar virou uma espécie de lembrança recente. Ainda está ali, ainda decide jogo, ainda chama atenção — mas já não é unanimidade. E no futebol brasileiro, quando o craque deixa de ser unanimidade, é sinal de que o tempo começou a cobrar a conta.
Enquanto isso, o técnico Carlo Ancelotti tenta montar um time que ainda não decidiu o que quer ser. Perde Éder Militão, vê o jovem Estêvão Willian parar, testa, remenda, reorganiza. Um quebra-cabeça sem a imagem da caixa.
E o torcedor? Esse parece ter dado um passo atrás. Não grita, não protesta, não abandona, apenas observa, como quem assiste a um filme que já foi melhor.
No fundo, talvez a pergunta esteja errada. Não é mais “Neymar vai à Copa?”.
A pergunta, agora, é outra: o Brasil ainda vai? Com essa bola, pra onde? (LCB)
A Copa sem dono
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