Corte de gastos: Durigan e velha necessidade do governo

por Canal Cat

O discurso do ajuste fiscal voltou ao centro do debate nacional. Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil precisa conter o crescimento dos gastos obrigatórios para abrir espaço a investimentos, aumentar a produtividade e recuperar a capacidade de gerar superávits primários sem medidas traumáticas.
A fala do ministro encontra respaldo técnico, mas esbarra numa realidade política que o próprio governo evita enfrentar de maneira mais contundente: os excessos estruturais dos Poderes da República. Enquanto se fala em controle de despesas, persistem privilégios, verbas bilionárias, supersalários, penduricalhos, emendas parlamentares de difícil fiscalização e um Fundo Eleitoral que cresce a cada eleição.
O debate fiscal brasileiro acaba ficando incompleto quando o peso maior do ajuste recai sobre o contribuinte, enquanto setores do poder mantêm estruturas consideradas por muitos como incompatíveis com a realidade econômica do país. Câmara, Senado, Judiciário e Ministério Público seguem blindados por mecanismos que dificultam qualquer contenção mais profunda de gastos.
A crítica também alcança o Supremo Tribunal Federal, frequentemente acusado por setores políticos e econômicos de tolerar distorções constitucionais envolvendo emendas impositivas e benefícios que pressionam as contas públicas. No fim, o cidadão comum acompanha um país que pede sacrifícios, mas preserva privilégios. Diante desse cenário, o desafio de Dario Durigan parece menos econômico e muito mais político.

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