O governo dos Estados Unidos decidiu apertar ainda mais o cerco comercial ao Brasil. Além da sobretaxa de 25% já anunciada para diversos produtos brasileiros, Washington propõe agora uma tarifa adicional de 12,5%, sob a alegação de que o país não possui mecanismos suficientemente claros para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A justificativa chama atenção por uma aparente contradição. Entre os produtos que escapam de parte das tarifas americanas estão justamente itens ligados ao agronegócio, inclusive setores frequentemente citados nos debates internacionais sobre condições de trabalho no campo. A pergunta surge naturalmente: se a preocupação central é o combate ao trabalho forçado, por que determinados produtos continuam recebendo tratamento diferenciado?
A nova medida soma-se a uma sequência de sinais negativos vindos de Washington. Primeiro vieram as críticas ao Pix. Depois as tarifas comerciais. Em seguida, a surpreendente declaração do secretário de Estado Marco Rubio, que excluiu o Brasil da lista de países considerados amigos dos Estados Unidos na América Latina. Agora surgem novas sanções econômicas. O conjunto dos fatos sugere algo maior do que uma simples divergência comercial.
O presidente Lula deverá encontrar Donald Trump durante a reunião do G7. Será uma oportunidade importante para reduzir tensões e buscar diálogo. Afinal, disputas comerciais fazem parte das relações internacionais. O que preocupa é quando elas começam a ser acompanhadas por gestos políticos e diplomáticos que transformam parceiros históricos em adversários ocasionais. Em relações entre países, como nas relações entre pessoas, a confiança costuma ser mais difícil de reconstruir do que de perder.
EUA: + tarifas + pressão – amizade
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