Passei hoje diante da antiga Estação Ferroviária, hoje Museu Municipal Cornélio Ramos. Parei por alguns instantes. Vieram as lembranças. Foi pelos trilhos da velha Estrada de Ferro Goyaz, de bitola estreita, que cheguei a Catalão em 1969. O trem não transportava apenas passageiros e mercadorias. Transportava sonhos.
A chegada da ferrovia, em 1913, mudou para sempre o destino da cidade. Antes dela, Catalão era uma comunidade agrícola distante dos grandes centros. O comércio caminhava lentamente, dependente das tropas e das estradas precárias. O trem rompeu esse isolamento e ligou a cidade ao Brasil que crescia.
Pelos vagões vieram produtos, investimentos, notícias, tecnologias, ideias e pessoas. Vieram comerciantes, trabalhadores, aventureiros e famílias inteiras dispostas a construir uma nova vida. Entre eles, muitos imigrantes que ajudaram a fortalecer o comércio e a economia local.
A cidade cresceu ao redor dos trilhos. A estação tornou-se o coração pulsante de uma Catalão que aprendia a empreender, produzir e se conectar ao mundo. Décadas depois, essa vocação abriria caminho para as mineradoras, para a indústria e para a consolidação do município como uma das maiores economias de Goiás.
Hoje o apito não ecoa mais. Os trens de passageiros ficaram na memória. Mas a herança da ferrovia permanece viva em cada avenida, em cada empresa e em cada conquista da cidade. O trem passou, mas deixou nos trilhos a direção do futuro.
Catalão deve muito da sua história àquele velho trem de ferro que, um dia, chegou trazendo progresso e nunca mais foi embora. (Luiz Carlos Bordoni, publicado em O Catalão)
