A ficção científica está perdendo a corrida para a realidade. A China acaba de apresentar um robô humanoide que luta kung fu, distribui socos e pontapés, enfrenta agressores e pode até salvar pessoas de atropelamentos. É o H2-X, da empresa Unitree Robotics, apresentado como um futuro guarda-costas particular. Um segurança de metal, sem salário, férias ou reivindicações trabalhistas.
O chamado Kung Fu Legend Guardian impressiona. Em vídeo divulgado pela fabricante, ele enfrenta um homem armado com faca, realiza acrobacias e ergue a dianteira de um automóvel. Derivado de um modelo com aproximadamente 1,80 metro e 70 quilos, teria autonomia de até oito horas em pé. Ainda não foram anunciados preço nem data de comercialização. Tampouco está esclarecido se suas façanhas são autônomas ou coreografadas.
Mas a novidade ultrapassa a curiosidade tecnológica. Estamos entrando numa época em que as máquinas deixam de ser apenas ferramentas para assumir funções tradicionalmente humanas. Já trabalham nas fábricas, auxiliam médicos, produzem textos, dirigem veículos experimentais e agora ensaiam proteger seus proprietários.
A pergunta é inevitável: até onde iremos?
Há benefícios evidentes. Robôs poderão salvar vidas, enfrentar situações perigosas e ajudar sociedades cuja população envelhece rapidamente. Mas também existem riscos. Quem responderá se um guarda-costas eletrônico confundir um gesto inocente com uma ameaça? Quem controlará sua força? O fabricante, o proprietário ou um algoritmo?
A humanidade inventou máquinas para diminuir seus esforços. Agora, começa a fabricar substitutos para suas próprias habilidades. Enquanto nascem menos crianças em numerosos países, multiplicam-se os robôs cada vez mais sofisticados. Um contraste que merece reflexão.
Não estamos diante da substituição inevitável do homem. Estamos diante de uma escolha sobre o papel que desejamos reservar às máquinas.
O robô chinês sabe distribuir golpes. Resta saber se algum dia aprenderá a distinguir, com a prudência necessária, a violência da legítima defesa, porque força sem discernimento não é segurança. É perigo.
E pensar que o homem inventou a máquina para facilitar a vida. Tomara que não precise, amanhã, inventar outra para se defender da primeira!
