A farinha é a mesma

O caso Banco Master acaba de produzir mais uma lição sobre a política brasileira. Durante meses, as suspeitas e investigações atingiam partidos identificados com a direita. Agora, o PT também se vê diante de um problema envolvendo um de seus principais líderes no Congresso.


É importante dizer: suspeita não é prova. Acusação não é condenação. Esse princípio vale para todos, sem exceção. Mas a política tem uma exigência adicional. Ao homem público não basta ser honesto. Também precisa parecer honesto. A confiança da população depende das duas coisas.


O episódio reforça uma verdade frequentemente esquecida pelos torcedores da política. A corrupção não escolhe ideologia. Não é de esquerda nem de direita. Não veste vermelho nem verde-amarelo. Quando surge uma oportunidade, costuma bater à porta de todos.


Os antigos romanos resumiam isso numa frase simples: Homines sunt ejusdem farinae. Os homens são feitos da mesma farinha. Mudam os partidos. Mudam os discursos. Mudam as bandeiras. As tentações continuam as mesmas.

(Luiz Carlos Bordoni)

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