A mão de Deus e o pé de Messi

O dia 22 de junho já estava reservado na história do futebol argentino. Há exatos 40 anos, Diego Maradona marcava contra a Inglaterra o gol da famosa “Mano de Dios”, um dos lances mais polêmicos e emblemáticos de todas as Copas do Mundo.


Quatro décadas depois, a data ganhou um novo capítulo. Se Maradona eternizou a mão, Lionel Messi eternizou o pé esquerdo.


Em Dallas, diante de mais de 70 mil torcedores, o camisa 10 argentino marcou duas vezes na vitória por 2 a 0 sobre a Áustria e alcançou o seu 18º gol em Copas do Mundo. Superou Miroslav Klose e tornou-se o maior artilheiro da história dos Mundiais.


O mais impressionante é que Messi parece desafiar a lógica. Perdeu um pênalti logo no início da partida, algo suficiente para abalar qualquer jogador. Mas gênios não costumam se abalar. Alguns minutos depois, lá estava ele outra vez, entrando na área com a naturalidade de quem parece conhecer o futuro.
Messi não corre como antes. Não dribla cinco adversários em todas as jogadas. Não tem mais a explosão dos tempos de Barcelona, mas ganhou algo que o tempo não consegue retirar dos grandes artistas: a capacidade de entender o jogo antes dos demais. Ele joga xadrez enquanto os outros ainda jogam futebol.


A Argentina venceu, classificou-se e ficou próxima da liderança do grupo. Mas o resultado acabou ficando em segundo plano. O que Dallas assistiu foi mais um capítulo da despedida de um dos maiores jogadores que o mundo já viu.


Maradona teve a mão de Deus. Messi tem algo ainda mais raro. Tem o talento que Deus resolveu emprestar ao futebol.

Related posts

Ondas de frio avançam. Temperatura baixa em Catalão

Notícias: CNN Brasil lidera audiência

Calor mata na Europa e acende o maior alerta climático do século