O agronegócio brasileiro começou a redesenhar seus movimentos para a eleição presidencial deste ano. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil convocou para a próxima quarta-feira uma reunião com presidentes de federações estaduais para discutir o cenário político após o desgaste envolvendo o senador Flávio Bolsonaro no caso Master. Embora o encontro já estivesse previsto, o episódio acelerou a necessidade de uma avaliação interna sobre os rumos da disputa presidencial.
Nos bastidores do setor, cresce a percepção de que a crise abalou a confiança em Flávio, até então visto como o principal nome apoiado pelo agro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lideranças admitem que havia receio de novos desgastes envolvendo o senador, mas ainda assim ele era considerado o candidato mais competitivo do campo conservador. Agora, o setor busca reorganizar sua estratégia política e avaliar alternativas viáveis.
Entre os nomes observados estão o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e Renan Santos. Caiado ainda mantém forte ligação histórica com o agronegócio, mas parte do setor avalia dificuldades para consolidar nacionalmente sua candidatura. Zema aparece como opção competitiva, embora declarações recentes no Nordeste tenham gerado resistência política. Já Renan Santos é tratado por parte das lideranças como uma aposta arriscada.
Além da disputa presidencial, a reunião da CNA também discutirá a formação do próximo Congresso Nacional e o fortalecimento da fidelidade parlamentar à pauta do agro. Um dos pontos de preocupação é o avanço da proposta que prevê o fim da escala 6×1, medida rejeitada por representantes do setor por considerarem que ela impacta diretamente a dinâmica do trabalho no campo. O agro quer chegar a 2027 mais organizado politicamente, menos dependente de nomes individuais e com maior influência sobre o futuro governo e o Parlamento.