Goiás entrou de vez no mapa global das terras raras — minerais estratégicos para a indústria de alta tecnologia, energia limpa e defesa. No centro desse movimento está a mineração em Minaçu, onde a Serra Verde Pesquisa e Mineração opera uma das poucas jazidas em produção fora da Ásia.
O potencial geológico do estado é expressivo. Goiás concentra reservas relevantes de terras raras leves, essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas e equipamentos eletrônicos. Mais do que extrair, o desafio está no domínio tecnológico do processamento e refino, etapa que agrega valor e posiciona o Brasil em um nível mais competitivo na cadeia global.
É justamente nesse ponto que o estado busca avançar. A proposta de consolidar Catalão como “Capital Estadual das Terras Raras” vai além do discurso político: envolve a criação de centros de pesquisa, como o projeto liderado por Jamil Calife, voltados ao desenvolvimento científico e à formação de mão de obra qualificada.
Catalão, embora fora do atual foco do conflito jurídico entre estado e União, aparece como peça estratégica no futuro do setor. A cidade reúne infraestrutura, tradição mineral e capacidade acadêmica para avançar na industrialização desses elementos, especialmente no processamento de terras raras leves.
O impasse entre o governo estadual e a União, que envolve a titularidade do subsolo e a legalidade de acordos internacionais, mostra que o tema ainda está longe de consenso. Mas também revela algo maior: o Brasil entrou definitivamente na disputa global por minerais críticos.
Se conseguir alinhar segurança jurídica, investimento e ciência, Goiás, com Catalão em destaque, pode deixar de ser apenas exportador de matéria-prima e se tornar protagonista em tecnologia mineral de ponta.
Catalão, capital das terras raras
Catalão: subsolo rico, força nacional