Catalão sonha com a volta de três deputados estaduais

Luiz Carlos Bordoni
Catalão poderá chegar às eleições de 2026 com três nomes fortes na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás. Jamil Calife, atual deputado estadual em primeiro mandato; Gustavo Sebba, que busca retornar para o quarto mandato; e Adib Elias, ex-deputado por três mandatos e quatro vezes prefeito de Catalão, formam um quadro raro de representatividade política para a cidade.
A possibilidade reacende uma lembrança histórica. Nas décadas de 1980 e 1990, Catalão chegou a ter três deputados estaduais ao mesmo tempo: Sílvio Paschoal, Arédio Teixeira e Mauro Netto. Foi um período em que o município ocupou posição de maior influência na política goiana, com presença direta nas articulações da Assembleia e maior capacidade de defesa dos interesses regionais.
Hoje, porém, o desafio é maior. Catalão tem 74.797 eleitores, conforme dados da eleição de 2024. A cidade pertence à 8ª Zona Eleitoral, que soma 105.301 eleitores, de Anhanguera, Cumari, Davinópolis, Goiandira, Nova Aurora, Ouvidor e Três Ranchos. Ou seja, embora Catalão seja o principal colégio eleitoral da região, trata-se de uma zona de baixa densidade eleitoral para sustentar, sozinha, três candidaturas competitivas.
Nos municípios vizinhos, os números também mostram a limitação regional: Anhanguera tem 1.710 eleitores; Cumari, 2.742; Davinópolis, 4.405; Goiandira, 4.700; Nova Aurora, 2.350; Ouvidor, 10.491; e Três Ranchos, 4.106. Somados, esses municípios têm 30.504 eleitores. É uma base importante, mas insuficiente para garantir três cadeiras sem que os candidatos busquem votos em outras regiões do Estado.
Na prática, para Catalão voltar a eleger três deputados estaduais, será preciso mais que prestígio local. Cada pré-candidato terá de construir uma base própria, ampliar alianças fora do sudeste goiano e escolher com cuidado o partido pelo qual disputará. Na eleição proporcional, não basta ter voto individual: é fundamental estar em uma chapa capaz de eleger.
Outro ponto decisivo e de ação imediata é evitar a guerra interna. Se os três nomes transformarem Catalão em campo de confronto, a cidade pode perder força. Mas se houver maturidade política, respeito entre os grupos e compreensão de que a representatividade regional está acima das disputas pessoais, Catalão poderá ampliar sua presença na Assembleia.
Jamil Calife entra no debate com a força do mandato e da presença institucional. Gustavo Sebba carrega a experiência de quem já exerceu três mandatos e conhece os caminhos do Legislativo. Adib Elias, por sua vez, tem recall político expressivo, depois de três mandatos como deputado e quatro passagens pela Prefeitura de Catalão.
O cenário, portanto, é de oportunidade e risco. Catalão tem nomes qualificados, história política e peso econômico. Mas a eleição de três deputados exigirá cálculo, organização, voto regional e expansão estadual. O desafio não é apenas lançar três candidatos. É fazer com que os três tenham condições reais de chegar lá.
A pergunta que fica é se Catalão terá maturidade para transformar força política em representação. Se cada um buscar apenas o seu pedaço da cidade, todos podem sair enfraquecidos. Mas se Catalão entender que precisa voltar a falar mais alto na Assembleia, 2026 poderá marcar o retorno de uma presença política que a cidade já teve no passado: três vozes defendendo o município e a região no Parlamento goiano.

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