Covardia elétrica: quando a crueldade vira espetáculo — e ainda tenta virar defesa

por Canal Cat

O episódio ocorrido em Belém não é apenas mais um caso de violência urbana. É algo mais profundo — e mais perturbador. Jovens, estudantes, gente que deveria estar sendo formada para construir o futuro, aparecem em vídeos usando uma arma de choque contra um homem em situação de rua. Não é briga. Não é confronto. É humilhação. É crueldade gratuita transformada em entretenimento.

E o roteiro segue um padrão já conhecido: diante da polícia, silêncio. Antônio Coelho diz não saber de nada, apesar das imagens circularem amplamente. Altemar Sarmento Filho aparece com o rosto coberto, escoltado por advogados, e se cala. Direito garantido, é verdade. Mas moralmente revelador.

A cena ganha contornos ainda mais absurdos quando surge a justificativa: a arma de choque estaria “danificada”. Como se isso reduzisse o ato. Como se a brutalidade dependesse da voltagem. Como se o problema fosse técnico — e não humano.

O que choca — e aqui o termo é inevitável — não é apenas o uso do equipamento. É a desumanização completa da vítima. Um homem em situação de rua, já invisível para muitos, vira alvo fácil. Um corpo disponível para testes, risadas e vídeos. É a banalização da violência em estado puro.

Há algo de profundamente errado quando jovens instruídos perdem a capacidade básica de empatia. Não se trata de ideologia, classe ou política. Trata-se de civilização. Quando alguém se diverte com a dor do outro, a sociedade inteira falha — na educação, na família, nos valores.

Que a Justiça faça o seu papel. Mas que a indignação não seja seletiva nem passageira. Porque o maior risco não é apenas o que esses jovens fizeram — é o que isso revela sobre o tipo de gente que estamos formando.

E, sobretudo, sobre o silêncio que vem depois.

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