A política brasileira parece ter encontrado um objetivo comum entre os principais nomes da oposição: derrotar Lula em 2026. O discurso é repetido por diferentes lideranças, independentemente de partido ou região. A meta é clara. O problema é que ainda falta responder à pergunta mais importante: derrotar Lula para fazer o quê?
Nas últimas semanas, declarações de lideranças da direita reforçaram a necessidade de união para impedir a reeleição do atual presidente. O apelo à convergência eleitoral é legítimo e faz parte do jogo democrático. O que chama atenção é a ausência de um debate mais profundo sobre os rumos do país.
O Brasil enfrenta problemas graves e conhecidos. O crescimento da dívida pública, a baixa produtividade da economia, a precariedade da educação básica, a violência urbana, a infraestrutura deficiente, a crise federativa e as desigualdades regionais continuam à espera de soluções concretas. São desafios que exigem mais do que slogans de campanha.
O eleitor tem o direito de saber quais reformas serão propostas. Como pretendem gerar empregos? O que farão pela saúde pública? Como enfrentar a criminalidade? Qual a proposta para os municípios, que executam a maior parte dos serviços públicos, mas recebem uma parcela cada vez menor dos recursos arrecadados?
A democracia precisa de oposição forte, mas também de alternativas claras. Criticar o governo é parte da atividade política. Apresentar caminhos é obrigação de quem pretende governar.
O debate eleitoral não pode se resumir a ser contra alguém. O Brasil merece uma discussão sobre o que fazer com o país nos próximos dez, vinte ou trinta anos. Afinal, eleições passam. Os problemas permanecem.
A pergunta que o eleitor deveria fazer a todos os candidatos, de situação ou oposição, é simples: qual é o seu projeto para o Brasil?
Até agora, a resposta continua em aberto. (LCB)
Derrotar Lula. E depois?
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