As explicações de Flávio Bolsonaro sobre o caso Vorcaro não encerraram a crise. Ao contrário: abriram outra. O senador diz que se trata de dinheiro privado, mas os áudios divulgados pelo Intercept colocaram sua pré-candidatura sob pressão imediata.
O ponto mais frágil é político. Flávio agora pede CPI do Banco Master, mas, segundo a CNN, antes a comissão não avançou com seu apoio decisivo. A cobrança, feita depois do vazamento, soa tardia para adversários e até para setores da direita.
Dentro do PL, o estrago já aparece. Reportagem do SBT News informa que uma ala do partido passou a defender Michelle Bolsonaro como alternativa presidencial após a divulgação do áudio envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro.
Michelle tem maior apelo simbólico em parte da base bolsonarista, especialmente entre mulheres e evangélicos. Flávio, por sua vez, carrega o sobrenome, mas enfrenta resistência interna, desgaste de imagem e dificuldade de empolgar fora do núcleo fiel.
O problema é que o bolsonarismo vive uma contradição: precisa de unidade, mas funciona sob disputa permanente. O nome escolhido pelo pai não é necessariamente o nome mais aceito pela tropa.
Assim, o caso Vorcaro pode ter feito mais do que produzir um escândalo. Pode ter reaberto a pergunta central da direita para 2026: quem, de fato, herdará Bolsonaro?