Falta de intensivistas trava UTIs pediátricas em Catalão e expõe problema nacional

A implantação de leitos de UTI pediátrica em Catalão esbarra em um obstáculo que vai além da estrutura física ou de recursos financeiros: a escassez de médicos intensivistas. O projeto, estudado ainda na época em que o prefeito Velomar Rios comandava a Secretaria de Saúde, previa a instalação das unidades no Pronto Atendimento Infantil (PAI), mas não avançou — e continua inviável agora — por falta desses profissionais, exigidos por lei para funcionamento do serviço.
A dificuldade não é local, mas nacional. Em Goiás, o cenário ilustra o desafio: para uma população de cerca de 658 mil crianças de 0 a 6 anos, existem apenas 120 leitos de UTI pediátrica nas redes pública e privada. A proporção — um leito para cada 5,3 mil crianças — revela a pressão sobre o sistema e ajuda a explicar situações dramáticas, como a busca por vaga que envolveu o menino Luan, que acabou não resistindo após ser transferido para Itumbiara.
A legislação determina uma composição mínima rigorosa para funcionamento de uma UTI. Cada unidade precisa contar com médico coordenador com título em Medicina Intensiva, responsável pela gestão técnica; médico diarista, também especialista, que acompanha diariamente a evolução dos pacientes; e médicos plantonistas, responsáveis pelo monitoramento contínuo. Sem essa estrutura completa, a abertura de leitos simplesmente não é autorizada.
O problema se agrava diante do déficit nacional de especialistas. O Brasil conta com cerca de 8 mil médicos intensivistas, enquanto estimativas da área indicam a necessidade de aproximadamente 40 mil profissionais para atender à demanda existente e permitir a expansão dos serviços. Concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste, esses profissionais são escassos em estados do Centro-Oeste, o que limita diretamente a ampliação de UTIs pediátricas. Em Catalão, como em grande parte do país, o desafio não é apenas construir leitos — é ter quem possa operá-los.

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