A campanha de Flávio Bolsonaro tenta mudar o assunto. No momento em que o caso envolvendo Daniel Vorcaro, Banco Master e o filme Dark Horse pressiona sua pré-candidatura, o senador articula uma viagem a Washington para tentar uma agenda com Donald Trump. A informação é da CNN, que aponta intermediação de Marco Rubio e participação de Eduardo Bolsonaro na negociação.
A estratégia é clara: tirar Flávio das explicações domésticas e colocá-lo no palco internacional. Em vez de responder sobre áudios, dinheiro, filme, banqueiro e versões desencontradas, a campanha quer vender a imagem de que ele é o candidato brasileiro do trumpismo. É a velha tentativa de trocar crise por cena, desgaste por fotografia, pergunta incômoda por aperto de mão.
O problema é que a crise não desaparece no embarque. O caso Vorcaro já produziu desgaste político, afetou a pré-campanha e virou assunto internacional, com registros de que Flávio buscou recursos junto ao banqueiro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. A própria Reuters registrou que o episódio impactou a corrida presidencial e ampliou a vantagem de Lula em pesquisa recente.
A viagem, portanto, pode até render manchete, vídeo e discurso inflamado para a militância. Mas não responde ao essencial. Quem financiou? Para onde foi o dinheiro? Qual era o papel de cada integrante do clã? Por que tantas versões mudaram pelo caminho?
Flávio tenta transformar Washington em cortina de fumaça. Mas, em política, fumaça demais costuma denunciar incêndio. E o incêndio, por enquanto, continua no Brasil.
Flávio tenta trocar o “Bolsomaster” por Trump
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