Jornal britânico avalia que vitória de Lula representa um revés para a estratégia de influência do presidente americano na América Latina.
A derrota de Flávio Bolsonaro para Lula nas eleições presidenciais brasileiras não foi apenas um revés para o bolsonarismo. Segundo análise publicada nesta quinta-feira (29) pelo jornal britânico The Guardian, o resultado também atingiu Donald Trump e sua chamada “onda laranja”, movimento de expansão da direita alinhada ao presidente americano pela América Latina.
O jornal observa que, depois de uma sequência de vitórias de candidatos conservadores em países latino-americanos, Trump esperava incorporar o Brasil à sua esfera de influência política. Mas os eleitores brasileiros decidiram reconduzir Lula à Presidência, com uma vantagem de aproximadamente 4,3 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro.
Para o analista Benjamin Gedan, do Stimson Center, o resultado representa um golpe significativo na estratégia regional de Trump. O Guardian também levanta uma hipótese curiosa: conhecido pelo pragmatismo, o presidente americano poderá se distanciar politicamente de Flávio, agora nos Estados Unidos, para preservar suas relações com o governo brasileiro.
A análise britânica coloca a eleição brasileira numa dimensão internacional: mais do que escolher um presidente, o Brasil contrariou as expectativas de expansão da influência política de Trump na região. Resta saber como Washington conduzirá suas relações com Lula, já que os interesses diplomáticos e econômicos dos dois países continuam sobre a mesa.