Lula abre sigilo desafia Flávio a fazer o mesmo

Lula resolveu colocar as cartas na mesa. O presidente anunciou que encaminhará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizações para a abertura de seus sigilos bancário e telefônico, além dos sigilos de seus cinco filhos. A iniciativa, segundo ele, pretende demonstrar transparência e responder às acusações de corrupção que marcaram a campanha presidencial.


O desafio foi lançado durante o debate da Band e reforçado posteriormente. Lula quer que Flávio Bolsonaro faça o mesmo, incluindo na medida o pai, Jair Bolsonaro, e os irmãos. Deu ao adversário uma semana para responder. Flávio ironizou a proposta, afirmando que suas contas sempre foram declaradas à Receita Federal.


A iniciativa tem evidente dimensão eleitoral. Na reta final do segundo turno, Lula procura transformar acusações em um confronto público sobre transparência. Entretanto, há uma diferença entre anunciar a abertura dos sigilos e efetivamente disponibilizar os documentos para uma investigação. A autorização também não significa, por si só, comprovação de inocência.


Quem não deve não teme? A frase é popular, mas a questão exige mais do que um duelo de declarações. Sigilo é direito constitucional e sua abertura precisa respeitar a lei. O eleitor merece esclarecimentos, provas e respostas. Afinal, transparência não deve ser apenas discurso de campanha. Deve ser compromisso permanente de quem exerce o poder.

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