Pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha mostra que a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta momento delicado. Segundo o levantamento, 40% dos brasileiros classificam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 32% avaliam o governo como bom ou ótimo.
Outros 26% consideram a administração regular, e 1% disse não saber ou preferiu não responder.
Na comparação com o levantamento realizado em dezembro do ano passado, a avaliação negativa aumentou. Na ocasião, 37% classificavam o governo como ruim ou péssimo. Já a avaliação positiva permaneceu estável em 32% nas duas pesquisas.
O grupo que considera o governo regular caiu de 30% para 26%, o que sugere que parte desse eleitorado pode estar migrando para a faixa de desaprovação.
O levantamento também simulou cenários eleitorais para a sucessão presidencial. Em um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 46% das intenções de voto, contra 43% do adversário, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
No primeiro turno, o cenário também indica disputa apertada: Lula teria 39%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 34%.
Entrelinhas
O dado que mais chama atenção não é apenas a diferença entre os candidatos, mas a tendência captada pelas pesquisas. A avaliação negativa do governo cresce gradualmente, enquanto a aprovação permanece estagnada.
Isso significa que parte do eleitorado que antes avaliava o governo como regular começa a migrar para a desaprovação.
E há um fator decisivo: o calendário político. Diferente de outros momentos, o tempo agora é curto. Estamos em 2026, e as eleições de outubro estão a apenas seis meses. Em política, esse prazo é suficiente para ajustes, mas já não permite mudanças profundas de humor do eleitorado sem fatos novos relevantes.
Por isso, cada nova pesquisa passa a ter peso maior na leitura do cenário. Se a tendência de desgaste persistir, o governo entra na reta final da disputa com um desafio claro: recuperar a confiança do eleitorado moderado e conter o avanço dos adversários. (LCB)
Lula: governo desaprovado e Flávio no calcanhar
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