A oposição tem todo o direito e até o dever de fiscalizar, questionar e apontar falhas da administração municipal. Democracia funciona assim. O problema surge quando a crítica abandona os fatos e passa a se apoiar numa Catalão imaginária, perfeita, construída apenas no discurso de quem pretende se apresentar como dono exclusivo da virtude administrativa.
A cidade real não começou em janeiro de 2025. Ela é resultado de décadas de decisões tomadas por diferentes governos, inclusive pelos grupos políticos que hoje ocupam as trincheiras da oposição. Quem esteve no poder até ontem não pode agir como se nada tivesse a ver com os problemas que ainda persistem. A memória da população é mais longa do que alguns imaginam, e as pegadas deixadas pelos antigos ocupantes do poder continuam visíveis em muitos caminhos percorridos pelo município.
Existe ainda uma contradição política difícil de ignorar. A atual situação da oposição não nasceu das ações do prefeito Velomar Rios. Ela foi criada por decisões internas do próprio grupo. Houve um acordo político. Houve uma orientação clara para que se trabalhasse pela reeleição do deputado Jamil Calife.
Depois, esse compromisso foi abandonado em favor de um projeto pessoal que dividiu aliados, provocou rupturas e produziu os desdobramentos que todos conhecem.
Curiosamente, quem hoje se apresenta como traído foi justamente quem primeiro rompeu o entendimento construído coletivamente. Os fatos conhecidos pela classe política apontam mais para uma inversão de papéis do que para uma narrativa de vítima e algoz.
A oposição pode contribuir muito para Catalão. Mas para isso precisa olhar menos para a ficção e mais para a realidade. Precisa fiscalizar sem esquecer a própria história. E, sobretudo, precisa compreender que coerência continua sendo uma das moedas mais valiosas da política. (LCB)