Catalão precisa discutir essa obra sem paixões políticas e sem discursos prontos. Presídio não é shopping center, não é parque industrial, não é universidade. Nenhuma cidade comemora receber uma penitenciária. Pelo contrário: quase todas resistem. E resistem por motivos compreensíveis.
O primeiro é o medo. Não apenas de fugas e resgates, mas do ecossistema que costuma nascer em torno de grandes unidades prisionais. Facções não vivem apenas atrás das grades. Familiares, intermediários, gente ligada ao crime organizado acaba se aproximando da cidade. Isso altera a dinâmica da segurança pública e aumenta a sensação de insegurança.
Há também o impacto urbano e econômico. Catalão luta há anos para atrair mais investimentos industriais, logísticos e imobiliários. Um presídio instalado em área estratégica pode frear exatamente essa expansão. Nenhum empresário procura uma cidade pensando: “que maravilha, ao lado da minha empresa haverá uma penitenciária”.
E há as dúvidas. Falam em 57 milhões para 536 vagas. Outros falam em 127 milhões para 400 vagas. Afinal, qual é o projeto real? Quem são os detentos? Apenas presos da região? Ou Catalão poderá virar destino de condenados vindos de outras partes do estado, inclusive ligados a facções?
A população tem o direito de desconfiar quando faltam informações claras. Audiência pública não pode ser mera formalidade burocrática para legitimar decisão já tomada.
É importante que todos participem das discussões na Câmara Municipal, antes que aventureiros lancem mão. Catalão não pode aceitar calada uma obra nebulosa, instalada justamente em uma área de expansão econômica. Se é inevitável construir, que seja em outro local, longe do eixo de crescimento da cidade, porque, depois que o concreto sobe, não há audiência pública capaz de derrubar o muro.
Novo presídio: Catalão acima de todos os interesses
Centro de Detenção Provisória na zona rural de Paulo de Faria/SP (Reprodução)