A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas abriu um novo campo de batalha na política brasileira. De um lado, Flávio Bolsonaro comemora a medida como resultado de sua articulação junto ao governo Donald Trump. Do outro, o presidente Lula e seus aliados enxergam uma tentativa de interferência externa em assuntos internos do Brasil.
A pré-campanha de Flávio pretende transformar o episódio em símbolo de firmeza no combate ao crime organizado. O senador argumenta que conseguiu sensibilizar autoridades americanas para um problema que afeta diretamente a segurança dos brasileiros e afirma que a decisão representa uma vitória contra facções que há décadas desafiam o Estado.
Já o governo Lula sustenta que a medida traz riscos à soberania nacional. O Planalto teme que a classificação permita pressões políticas, financeiras e diplomáticas sobre o Brasil, além de reforçar a influência dos Estados Unidos em temas que deveriam ser tratados pelas instituições brasileiras.
No fim das contas, os dois lados tentam transformar o mesmo fato em vantagem eleitoral. Flávio apresenta a decisão como prova de liderança e iniciativa. Lula responde com o discurso da defesa da soberania nacional. Entre as duas versões, permanece uma realidade incontestável: PCC e Comando Vermelho cresceram a ponto de se tornarem um problema que ultrapassou as fronteiras do Brasil e passou a preocupar o mundo.