O PT de Goiás entra na corrida eleitoral ainda sem definir quem carregará sua bandeira na disputa pelo governo do Estado. Em reunião nacional realizada nesta quarta-feira, o presidente do partido, Edinho Silva, indicou que o nome do ex-deputado Luiz César Bueno ainda não recebeu o aval da direção nacional. Nos documentos apresentados durante o encontro, Goiás aparece ao lado de Minas Gerais e Roraima entre os estados onde o palanque do presidente Lula “ainda está em construção”.
A indefinição fortalece outro grupo interno da legenda. A deputada federal Adriana Accorsi, presidente estadual do PT, reafirmou sua disposição de disputar a reeleição para a Câmara e voltou a reclamar da resistência à sua liderança. Segundo ela, “um grupo de homens brancos, héteros” não aceita seu comando político. Ao ser questionada sobre a eventual rejeição do nome de Luiz César pela direção nacional, respondeu que caberá ao partido encontrar outro caminho, deixando claro que considera sua parte cumprida.
O episódio expõe uma característica histórica do Partido dos Trabalhadores. Desde sua fundação, o PT convive com uma intensa pluralidade interna. Ao longo de sua trajetória, organizou dezenas de correntes políticas — frequentemente citadas como mais de quarenta tendências — que disputam espaço, influência e os rumos da legenda. Esse modelo sempre produziu debates intensos, mas também conflitos recorrentes. Algumas correntes acabaram rompendo com o partido ou foram expulsas, como a Convergência Socialista, o grupo que deu origem ao Partido da Causa Operária (PCO) e militantes que posteriormente formaram o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
O desafio do PT em Goiás, portanto, vai além da escolha de um candidato. O partido precisará demonstrar capacidade de transformar suas divergências internas em unidade política. Afinal, uma campanha eleitoral começa muito antes das convenções: começa quando o próprio partido consegue convencer seus filiados de que todos estão marchando na mesma direção.