Quaest: Lula e Flávio empatando na queda de braços

A nova Quaest confirma um Brasil eleitoralmente dividido por regiões. Flávio Bolsonaro aparece mais forte no Sul, no Sudeste bolsonarista e em Goiás. Lula mantém domínio claro no Nordeste e ainda mostra competitividade em Minas Gerais e no Pará. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026, ouviu 11.646 eleitores entre 21 e 28 de abril, em dez estados, e não deve ser lida como pesquisa nacional, mas como retrato dos maiores colégios eleitorais pesquisados.
No confronto direto entre Lula e Flávio, o senador vence em cinco estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro. A dianteira mais ampla está no Rio Grande do Sul, onde Flávio marca 57% contra 31% de Lula. Também há vantagem expressiva no Paraná, 50% a 30%, e vantagem relevante em Goiás, 47% a 34%. Em São Paulo, o placar é de 47% a 35%; no Rio de Janeiro, 45% a 32%.
Lula, por sua vez, sustenta ampla vantagem no Nordeste. Vence na Bahia por 55% a 22%, em Pernambuco por 57% a 23% e no Ceará por 56% a 28%. No Pará, aparece à frente por 43% a 36%. Em Minas Gerais, há empate técnico, com Lula numericamente à frente: 39% contra 36% de Flávio. Esse dado mineiro é politicamente importante porque Minas costuma funcionar como termômetro nacional e, historicamente, pesa muito na leitura de viabilidade presidencial.
O levantamento também mostra que, quando Lula é confrontado com Ronaldo Caiado, o governador goiano sai melhor em Goiás, sua base política, mas Lula vence nos demais estados pesquisados, com empates em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Contra Romeu Zema, Lula empata em Minas, São Paulo, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul, mas vence no Pará, no Rio de Janeiro e nos três estados nordestinos pesquisados.
A leitura central é esta: Flávio Bolsonaro está herdando boa parte da força territorial do bolsonarismo, especialmente no Sul, em São Paulo, no Rio e em Goiás. Mas Lula preserva uma muralha eleitoral no Nordeste e segue competitivo em estados decisivos. Caiado e Zema aparecem como nomes capazes de reduzir resistências em alguns territórios, mas ainda sem demonstrar, nesse recorte, uma vantagem nacional clara sobre Lula.
O dado mais relevante não é apenas quem lidera onde. É a geografia da polarização. O país continua dividido em blocos eleitorais muito nítidos: Sul e parte do Sudeste mais inclinados à direita; Nordeste fortemente lulista; Minas e Pará como zonas de disputa. A eleição, portanto, não está resolvida nos extremos. Ela tende a ser decidida nas margens: nos estados competitivos, na rejeição dos candidatos, na capacidade de ampliar alianças e na disputa pelo eleitor que não quer repetir 2022, mas também não aderiu automaticamente a um novo nome da direita.

Bola dividida
A Quaest mostra que a eleição de 2026 continua com cara de Brasil partido ao meio. Flávio Bolsonaro lidera em cinco estados importantes, com força no Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Goiás. Lula, por outro lado, mantém domínio amplo no Nordeste e aparece competitivo no Pará e em Minas Gerais.
O retrato é claro: o bolsonarismo tem chão, mas Lula ainda tem muralhas. Flávio herda o voto mais fiel da direita, mas precisa mostrar se consegue crescer além dele. Lula preserva sua base histórica, mas enfrenta dificuldades em colégios eleitorais grandes fora do Nordeste.
Caiado e Zema aparecem como alternativas competitivas em alguns estados, mas ainda sem romper, de forma definitiva, a lógica da polarização. O centro da disputa continua sendo o mesmo: quem conseguirá falar para além dos convertidos.
A pesquisa não encerra o jogo. Apenas confirma o tabuleiro. E o tabuleiro mostra um país dividido, desconfiado e ainda procurando saber se 2026 será uma repetição de 2022 ou o começo de uma nova disputa. (LCB)

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