Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da disputa presidencial de 2026. Segundo o levantamento, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 29%.
O cenário testado pelo instituto incluiu 12 possíveis candidatos à Presidência da República. Na sequência dos dois principais concorrentes aparecem o coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos (Missão), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 3% das intenções de voto.
Logo depois surgem o deputado federal Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 2% cada. Já o escritor Augusto Cury (Avante), o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) registraram 1% das preferências.
Outros nomes incluídos no levantamento — Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB) e Heró Bezerra (PRTB) — não alcançaram pontuação suficiente para aparecer no resultado consolidado da pesquisa.
O levantamento também revela que ainda existe espaço para movimentações no cenário eleitoral. Entre os entrevistados, 10% declararam estar indecisos, enquanto outros 9% afirmaram que pretendem votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
2ø turno: Lula abre seis pontos sobre Flávio
A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente dos principais adversários em todos os cenários de segundo turno testados pelo instituto. Contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o parlamentar registra 38%.
O resultado representa uma mudança importante em relação ao levantamento anterior. Em maio, Lula tinha 42% e Flávio 41%, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Agora, o presidente ampliou sua vantagem para seis pontos percentuais, sinalizando recuperação eleitoral em um confronto considerado o mais competitivo entre os cenários analisados.
A pesquisa também avaliou eventuais disputas contra outras lideranças da oposição. Em um segundo turno contra Romeu Zema (Novo), Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 35% do ex-governador mineiro. Diante do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o presidente registra os mesmos 45%, enquanto Caiado alcança 35%. Já em uma disputa contra Renan Santos (Missão), Lula soma 45% e o adversário 31%.
Os números indicam que, neste momento, Lula mantém vantagem consolidada nas simulações de segundo turno, enquanto a oposição ainda busca um nome capaz de reduzir a distância para o atual presidente. O levantamento sugere também que a polarização entre Lula e o bolsonarismo continua sendo o principal eixo da disputa presidencial de 2026, embora o presidente apareça hoje em situação mais confortável do que na pesquisa realizada em maio.
Nuvens escuras no céu de Flávio
É cedo para afirmar categoricamente que a diferença decorre apenas do caso Vorcaro. Pesquisas captam o resultado de vários fatores ao mesmo tempo. Mas é difícil ignorar a coincidência temporal entre a intensa cobertura do caso e a perda de fôlego do senador nas pesquisas.
A política costuma ser cruel com candidatos associados a escândalos financeiros. O eleitor tolera muita coisa, mas costuma reagir mal quando surge a percepção de favorecimento, negócios obscuros ou proximidade com personagens investigados. Foi assim em inúmeros episódios da história política brasileira.
Há outro detalhe. A viagem de Flávio aos Estados Unidos, os encontros com autoridades americanas e o pedido para classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas não produziram o ganho eleitoral que seus aliados esperavam. O tema que dominou o debate acabou sendo outro: Vorcaro.
Se essa tendência continuar nas próximas pesquisas, ficará cada vez mais difícil separar os números do impacto político do escândalo. Por enquanto, a conclusão mais prudente é esta: Lula cresceu, Flávio caiu, e o principal fato novo do período foi justamente o caso Vorcaro.
Em política, às vezes uma pesquisa mostra mais do que números. Ela mostra para onde sopra o vento. E, neste momento, o vento não parece estar soprando a favor de Flávio Bolsonaro. (LCB)