A troca de desafios entre Lula e Flávio Bolsonaro para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos ganhou os holofotes da campanha presidencial. Lula propôs oito anos de investigação; Flávio respondeu exigindo vinte anos e apresentando 19 condições. O petista anunciou que aceitaria as exigências do adversário.
Mas há um obstáculo praticamente intransponível: o tempo. Faltam apenas três dias para o segundo turno, domingo, 25 de outubro. Mesmo que a Justiça autorize o acesso aos dados, bancos, Receita Federal e operadoras precisarão de tempo para reunir as informações. Depois, será necessário examiná-las. Isso não se faz da noite para o dia.
Há também uma questão jurídica fundamental: ninguém pode autorizar unilateralmente a abertura dos sigilos de parentes ou terceiros. Cada pessoa possui direitos próprios à privacidade, cuja restrição depende de consentimento válido ou fundamento legal e decisão da autoridade competente.
No fundo, a disputa tem muito mais aparência de estratégia eleitoral do que de compromisso com resultados imediatos. O eleitor poderá votar antes que qualquer investigação produza conclusões.
Transparência exige documentos, provas e análise séria. O resto, por enquanto, é disputa por votos. (LCB)
