Na política, a palavra dita ontem pode se transformar no problema de hoje. Que o diga Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. Postagens antigas, apagadas de suas redes sociais, revelam críticas ao Bolsa Família, programa que agora promete manter caso seja eleito.
As mensagens, publicadas entre 2011 e 2013 e recuperadas pelo portal g1, mostram Flávio chamando benefícios sociais de instrumentos de clientelismo eleitoral. Em uma delas, afirmou que o PT perpetuava a pobreza com o chamado “bolsa-farelo”.
Agora, na disputa presidencial contra Lula, Flávio defende a continuidade do Bolsa Família. Sua equipe econômica propõe uma transição de até dois anos para beneficiários que conseguirem emprego formal. A mudança de discurso levanta uma questão legítima: trata-se de uma revisão de convicções ou de uma nova proposta de política social?
O episódio deixa uma lição que vale para todos os políticos, de qualquer partido: a internet tem memória, mesmo quando as publicações desaparecem. Mudar de opinião é um direito. Explicar a mudança é uma responsabilidade. Afinal, quem tem boca precisa ter cuidado ao usá-la. Principalmente quando pretende conquistar a confiança do eleitor. (LCB)