STF: seria Gilmar o “camisa 10” de Zema

Esse é um daqueles casos em que direito e política se cruzam e ninguém sai ileso desse encontro. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu processar o governador de Minas, Romeu Zema, por críticas feitas à Corte.
Do ponto de vista formal, é compreensível. O STF tem reagido a ataques que considera excessivos. Existe uma preocupação real com a preservação da autoridade institucional.
Mas o problema não é só jurídico. É político. Porque, na prática, quando uma figura pública é levada a esse tipo de confronto com o Supremo, ela ganha palco. Ganha discurso e, em muitos casos, ganha apoio, especialmente em um ambiente polarizado como o nosso.
Zema, que já se movimenta como pré-candidato à Presidência, pode transformar esse episódio em narrativa: a de quem enfrenta o sistema. E essa narrativa tem força. Já vimos isso antes no Brasil.
Agora, vem a pergunta incômoda, mas necessária: Essa reação do Judiciário resolve o problema ou alimenta o problema? Porque existe aí um efeito quase automático: judicialização gera vitimização, vitimização gera engajamento político. E o ciclo se repete.
Não se trata de dizer que o Supremo não pode reagir. Pode, e deve, quando há abuso, mas também é preciso medir o impacto dessas decisões fora do processo, porque, no Brasil de hoje, nenhuma decisão desse porte fica restrita aos autos. Ela vai direto para a opinião pública. E, muitas vezes, para o palanque. E aí, o que era para ser defesa institucional pode acabar virando combustível político. E aí, Zema agradece.

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