O governo Donald Trump acionou empresas de telecomunicações para obter registros telefônicos de jornalistas do The New York Times e até de alguns de seus familiares.
A investigação procura descobrir as fontes de reportagens sobre falhas de segurança numa aeronave oferecida pelo Catar para servir como futuro avião presidencial dos Estados Unidos.
O governo alega que apura o vazamento de informações confidenciais. O jornal acusa o Departamento de Justiça de retaliação e intimidação. A Justiça suspendeu provisoriamente parte das medidas enquanto analisa o pedido para anular as intimações.
O caso recorda a advertência do livro “Como as Democracias Morrem”: regimes democráticos nem sempre são destruídos por golpes militares. Podem ser enfraquecidos aos poucos, quando governantes eleitos passam a utilizar leis, órgãos de investigação e poderes institucionais para atacar críticos e intimidar a imprensa.
Os Estados Unidos ainda possuem tribunais independentes, oposição e jornais capazes de resistir. Por isso, é precipitado afirmar que já exista uma ditadura consolidada, mas o sinal de perigo é evidente.
Quando o governo tenta descobrir as fontes de jornalistas, não ameaça apenas uma empresa de comunicação. Assusta todos aqueles que poderiam revelar corrupção, negligência, desperdício ou abuso de poder.
A imprensa pode ser criticada e responsabilizada quando errar. O que não pode é ser silenciada pelo medo. A censura nem sempre começa proibindo uma reportagem. Às vezes, começa vigiando quem fala com o repórter.