Trump descobre o Brasil

Donald Trump em New York Knicks x Milwaukee Bucks no Madison Square Garden, em 26 de março de 2012 • James Devaney/WireImage

Donald Trump deve estar decepcionado. Passou meses distribuindo opiniões sobre o Brasil, criticando Lula, elogiando Bolsonaro, confundindo filhos de Bolsonaro, confundindo assuntos brasileiros e, provavelmente, confundindo também o mapa do Brasil com o cardápio de alguma churrascaria da Flórida.


Aí veio o Datafolha e perguntou ao eleitor brasileiro o que ele acha da influência do presidente americano na eleição de 2026. Resultado: 65% responderam algo equivalente a um gigantesco “tanto faz”.


Coitado do Trump. O homem governa a maior potência econômica e militar do planeta. Basta espirrar em Washington para as bolsas caírem em Tóquio, Londres e Frankfurt. Mas quando resolve dar palpite sobre quem deve ser presidente do Brasil, a maioria dos brasileiros reage como quem recebe ligação oferecendo plano de telefonia:


— Obrigado, mas não tenho interesse.


Talvez seja uma característica nacional. Brasileiro adora comentar a eleição dos Estados Unidos, mas não gosta muito que os americanos venham comentar a nossa. É uma espécie de patriotismo seletivo.
A verdade é que o eleitor brasileiro tem muitos defeitos, mas possui uma qualidade admirável: raramente aceita ser tratado como eleitor terceirizado. Pode gostar de Trump. Pode detestar Trump. Pode concordar ou discordar dele, mas, pelo visto, prefere decidir sozinho.


O Datafolha apenas confirmou uma velha regra da política nacional: para conquistar votos no Brasil, ajuda mais um aperto de mão numa feira livre do que uma bênção vinda da Casa Branca.


E isso vale para Trump, Biden, Obama, Xi Jinping, o Papa ou o Dalai Lama. No fim das contas, a urna brasileira continua sendo um produto nacional. (LCB)

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