Um prefeito chamado Leovil

Há homens que passam pela vida pública. Outros passam para a história.


Catalão conheceu um prefeito que governou sem o ritual da política tradicional. Cercou-se de gente competente, pouco importando a cor partidária, realizou obras, dispensou festas de inauguração e preferiu gastar o dinheiro público onde ele fazia diferença: na vida das pessoas.


Trabalhou de graça. O salário que receberia como prefeito foi transformado em casas populares. Assim nasceu a Vila Raulina, um gesto que dizia mais do que qualquer discurso.


Tratava o patrimônio público como trataria a própria casa. Usava o carro particular, não abastecia com dinheiro da prefeitura e fazia cumprir a lei sem olhar sobrenome ou posição social. Mandou cortar a água da residência do juiz por falta de pagamento. Multou a própria esposa por estacionar em local proibido. A regra era para todos.


Também não fazia da política uma romaria de favores. Quando foi duas vezes a Goiânia e não conseguiu ser recebido pelo governador Otávio Lage, deixou um recado elegante e firme: “Digam ao governador que não volto mais aqui. Assim nenhum dos dois perde tempo.” Dias depois, o governo enviou um representante a Catalão e dali nasceu o projeto de 200 casas que deu origem à Vila Liberdade.


Não tive a felicidade de conhecê-lo. Conheço, porém, seu filho, Leovil Júnior, homem que herdou do pai a discrição, a dignidade e o compromisso com esta terra. À família, deixo esta singela homenagem. Existem homens que não precisam de estátuas. Suas obras continuam falando por eles.

Related posts

BOM DIA CIDADE

Guardando a memória de Catalão

Sílvio Paschoal, sinônimo de dignidade