Vorcaro e Cláudio Castro: bandalheira on the rocks
A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master ganhou mais um capítulo explosivo, agora servido “on the rocks”. Mensagens obtidas pelos investigadores apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro convidou o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York, um dia antes de o Rioprevidência realizar um aporte milionário na instituição financeira.
Segundo a PF, o evento aconteceu em maio de 2024 e reuniu apenas dez convidados. O custo estimado da degustação teria chegado a US$1,013 milhão — mais de R$5 milhões na cotação atual. No dia seguinte ao encontro, o Rioprevidência aplicou R$80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Depois vieram outros aportes de R$80 milhões e R$70 milhões.
Os investigadores sustentam que a proximidade entre Castro e Vorcaro ajudou a abrir caminho para repasses que totalizaram R$3 bilhões ao banco. A PF fala em um verdadeiro “almanaque de irregularidades” envolvendo operações do fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais.
O episódio reforça a imagem de promiscuidade entre poder político e setor financeiro. Enquanto os aposentados dependem da saúde do fundo previdenciário para receber seus benefícios, milhões de dólares circulavam em encontros luxuosos regados a uísque raríssimo em Nova York. No Brasil da impunidade sofisticada, a bandalheira já nem vem mais quente: chega servida com gelo, taça de cristal e conta bilionária.
O evangelho de carvalho
A “Doutrina Vorcaro” talvez mereça até degustação comentada em taça de cristal e sala VIP de Wall Street. Segundo os novos mandamentos etílico-financeiros da República dos Bem Relacionados, enriquecer virou quase uma experiência sensorial.
Johnnie Walker ensinava: “Keep Walking.”
Na versão adaptada do mercado brasileiro: “Continue caminhando… de preferência até o fundo previdenciário mais próximo.”
Jack Daniel’s dizia: “Make it count.”
Tradução livre da doutrina tropical: “Faça valer a pena. Se for para abrir o cofre público, que seja com uísque de milhão.”
Chivas Regal pregava: “Success is a blend.”
E nunca uma frase explicou tão bem certas amizades entre política, bancos, luxo e influência. O sucesso, afinal, é mesmo uma mistura.
Já Jim Beam mandava: “Make History.”
E fizeram. Talvez a maior história político-financeira já envelhecida em barris de carvalho e em cofres públicos.
No fim, o segredo não estava no malte, mas no tonel. Não de uísque. De dinheiro. Tudo cuidadosamente envelhecido em carvalho premium… enquanto o contribuinte bebia água da torneira e pagava a conta da adega alheia. (LCB)