O tom mais agressivo adotado pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, nas últimas semanas, ampliou sua presença digital e fez crescer o interesse do eleitorado pelo seu nome nas pesquisas do Google. O levantamento foi revelado pelo jornalista Carlos Henrique Salgado, com base em dados do Google Trends.
Segundo a análise, Zema superou, pela primeira vez, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em volume de buscas na internet, numa disputa indireta pelo espaço de principal alternativa ao senador Flávio Bolsonaro no campo conservador.
Os números mostram que o pico de interesse por Zema ocorreu no dia 25 de abril, após a divulgação de um vídeo em que ele criticava o ministro Gilmar Mendes. O impacto digital foi quase duas vezes maior do que o registrado por Caiado quando anunciou sua pré-candidatura presidencial, no fim de março.
O mesmo movimento voltou a ocorrer nos últimos dias, depois que Zema elevou o tom contra Flávio Bolsonaro em meio às revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores da política, cresce a percepção de que Zema tem conseguido transformar embates nacionais em visibilidade fora de Minas Gerais, enquanto Caiado segue com forte presença regional, especialmente em Goiás, mas ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua repercussão nacional.
O Brasil é maior que Goiás
Ronaldo Caiado é conhecido em Goiás. Respeitado em setores do agronegócio. Tem discurso firme na segurança pública e carrega uma biografia política consistente. Mas a eleição presidencial não se vence apenas dentro das fronteiras goianas.
O problema de Caiado, hoje, parece ser exatamente esse: sua voz ainda ecoa muito mais no cerrado goiano do que no restante do país. Enquanto adversários transformam polêmicas nacionais em combustível digital, o ex-governador continua restrito a um circuito político regionalizado.
Os dados revelados por Carlos Henrique Salgado, em O Popular, mostram isso com clareza. O anúncio da pré-candidatura de Caiado despertou curiosidade, mas não provocou o mesmo impacto obtido por Romeu Zema ao entrar em confrontos diretos com figuras nacionais, como ministros do STF e integrantes do próprio campo conservador.
Vivemos um tempo em que política também é presença digital, circulação nacional de imagem e ocupação permanente do debate público. Goste-se ou não disso, é a realidade. O eleitor do Acre, do Amazonas, do Piauí ou do Rio Grande do Sul dificilmente acompanhará os bastidores da política goiana. É preciso romper a bolha regional.
Bartolomeu Bueno da Silva Filho desbravou Goiás. Mas o Brasil presidencial é muito maior do que o território descoberto pelos bandeirantes. Exige capilaridade, comunicação permanente, narrativa nacional e capacidade de dialogar com diferentes públicos.
Até aqui, Caiado parece falar muito para os que já o conhecem e pouco para os milhões de brasileiros que ainda perguntam: afinal, quem é o candidato goiano? (LCB)