O futuro de Jair e o Efeito Glock

por Canal Cat

Faltam poucos dias para terminar o prazo de 90 dias da prisão domiciliar concedida a Jair Bolsonaro por razões de saúde. Em Brasília, porém, um novo ingrediente passou a preocupar seus aliados: uma pistola Glock registrada em nome do ex-presidente foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal.


A defesa afirma que a arma estava sem condições de uso e seguia para manutenção. O problema é que a explicação precisará convencer o ministro Alexandre de Moraes justamente quando se aproxima a data de reavaliação da medida humanitária.


Politicamente, o episódio caiu como uma bomba no bolsonarismo. Não porque a Glock, por si só, seja suficiente para determinar o retorno à prisão. Isso caberá ao STF decidir. Mas porque cria um fato novo num momento em que os aliados trabalhavam para consolidar a narrativa de que Bolsonaro deveria permanecer em casa por questões médicas.


Em política, muitas vezes o problema não é o fato. É a imagem do fato. Uma arma registrada em nome de um ex-presidente em prisão domiciliar, encontrada longe de sua residência, é exatamente o tipo de notícia que gera desgaste, alimenta pedidos de revogação do benefício e oferece munição aos adversários.


Agora, a expectativa está voltada para o dia 25. Se as explicações forem consideradas suficientes, Bolsonaro permanece em casa. Se não forem, cresce o temor entre seus apoiadores de um retorno à chamada “Papudinha”.


No xadrez político de Brasília, às vezes uma única peça muda completamente o tabuleiro. Desta vez, ela atende pelo nome de Glock. (LCB)

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