Guardando a memória de Catalão

por Canal Cat

As cidades não vivem apenas de ruas, prédios e praças. Vivem, sobretudo, da memória de seu povo. E poucos dedicaram tanto da própria vida a preservar essa memória quanto o meu querido amigo Luís Antônio Estevam.


Intelectual respeitado, jornalista, economista, professor universitário e escritor, Luís poderia ter permanecido nos grandes centros acadêmicos, onde conquistou reconhecimento. Preferiu outro caminho: voltou para Catalão.


Voltou para cuidar da história de sua terra. Depois de uma sólida formação nos seminários franciscanos, graduou-se em Jornalismo, tornou-se economista, alcançou o doutorado na Unicamp e construiu uma brilhante carreira como professor da PUC Goiás. Mas foi na maturidade que abraçou talvez sua maior missão: pesquisar, escrever e defender a história de Catalão.


Não se contentou em repetir versões prontas. Vasculhou arquivos, cartórios, documentos antigos e relatos de pioneiros. Estudou, confrontou informações e apresentou novas interpretações sobre a formação de Goiás, sustentando, com rigor científico, a tese de que Catalão ocupa lugar muito mais antigo e importante na história do Estado do que muitos imaginavam.


Foi Secretário de Cultura, comandou a Fundação Cultural Maria das Dores Campos e participa, ativamente, da Academia Catalana de Letras, da qual foi presidente. Hoje, na paz da sua casa, continua produzindo conhecimento e despertando orgulho em nossa gente.


Luís Estevam não escreve apenas livros. Escreve identidade. Ensina às novas gerações que um povo sem memória perde também parte de sua alma.


Catalão tem muitos patrimônios. Luís Estevam é um deles. E merece, em vida, o reconhecimento de todos aqueles que amam esta terra tanto quanto ele.

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