A quatro dias do segundo turno presidencial, um fantasma preocupa as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro: a abstenção. A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (21), mostra que o número de indecisos na pesquisa espontânea dobrou, passando de 7% para 14%. Nesse cenário, os dois candidatos aparecem empatados, com 40% cada. O dado acende um sinal de alerta para os estrategistas eleitorais.
A indecisão cresceu especialmente entre as mulheres, passando de 8% para 17%, e entre os eleitores independentes, de 13% para 31%. Mas atenção: indecisão não significa necessariamente abstenção. O eleitor pode decidir seu voto na última hora, votar em branco, anular ou simplesmente não comparecer. O problema é que, numa disputa tão equilibrada, qualquer dessas decisões pode influenciar o resultado.
No primeiro turno, cerca de 33 milhões de brasileiros deixaram de votar. Em Catalão, foram aproximadamente 16,7 mil ausentes. É um contingente expressivo, capaz de alterar resultados numa eleição apertada. Por isso, mais do que conquistar novos votos, Lula e Flávio precisam convencer seus simpatizantes a sair de casa e comparecer às urnas.
A democracia não se fortalece com cadeiras vazias nas seções eleitorais. O voto é direito, responsabilidade e instrumento de participação. No próximo domingo, dia 25, o maior adversário dos candidatos poderá não ser o concorrente, mas o eleitor que decidir ficar em casa. Afinal, eleição também se perde quando o eleitor não aparece.
