A política vive de gestos. Alguns são espontâneos. Outros, inevitáveis.
O novo pedido público de desculpas de Flávio Bolsonaro a Michelle Bolsonaro e a aceitação das desculpas pela ex-primeira-dama ocorreram num momento extremamente delicado: no mesmo dia em que veio a autorização para a investigação envolvendo o senador no caso Daniel Vorcaro e às vésperas da convenção do PL que deverá oficializar sua candidatura à Presidência da República.
É difícil acreditar que tudo isso seja apenas coincidência. A unidade passou a ser uma necessidade estratégica. Uma campanha presidencial não pode começar exibindo duas crises ao mesmo tempo: uma judicial e outra familiar e política.
Michelle, por sua vez, aceitou as desculpas sem abrir mão da imagem que construiu. Não voltou atrás em suas posições. Demonstrou disposição para pacificar o grupo, mas preservando sua liderança junto ao eleitorado feminino e evangélico.
Na política, o perdão também comunica. E, muitas vezes, o calendário explica mais do que as palavras.