O futebol continua sendo uma das poucas atividades humanas onde o tamanho nem sempre decide o resultado.
Cabo Verde, um pequeno arquipélago africano perdido no Atlântico, olhou para o Uruguai, bicampeão mundial, e não demonstrou qualquer complexo de inferioridade. Arrancou um empate por 2 a 2 e manteve vivo o sonho de avançar na Copa do Mundo.
O primeiro gol cabo-verdiano já entrou para a história. Foi o primeiro da seleção africana em Mundiais. E veio com estilo. Uma cobrança de falta que viajou a impressionantes 125 quilômetros por hora, velocidade suficiente para transformar a bola num pequeno projétil.
O Uruguai reagiu. Maxi Araújo e Canobbio viraram o placar em apenas três minutos, mostrando a força de uma camisa acostumada a grandes batalhas. Mas Cabo Verde não se intimidou. Hélio Varela aproveitou falha de Muslera, que já havia vacilado na estreia, e decretou a igualdade.
O empate deixa tudo em aberto no Grupo H. Mas, independente do que acontecer na última rodada, Cabo Verde já conquistou algo importante: respeito.
Em toda Copa surge uma seleção capaz de lembrar ao mundo que tradição ajuda, mas não joga. Camisa pesa, mas não corre. História assusta, mas não marca gols.
Cabo Verde entrou nesta Copa como convidado. Depois de duas rodadas, já começa a ser tratado como concorrente.