A entrevista de Flávio Bolsonaro à Folha de S.Paulo de hoje, dia 7, revela um político que ainda não conseguiu encerrar a eleição de 2026.
Derrotado por Lula, o senador continua questionando o resultado, embora admita não possuir provas de fraude. É uma contradição que merece reflexão.
Questionar procedimentos eleitorais é um direito, mas lançar suspeitas sem apresentar evidências é outra história. A democracia não pode ficar refém da inconformidade dos derrotados.
Outro ponto chama a atenção: Flávio permanece nos Estados Unidos e pretende exercer seu mandato parlamentar à distância. É uma escolha que exige explicações aos brasileiros que o elegeram.
O senador também afirma que Jair Bolsonaro errou ao retornar ao Brasil em 2023 e deixa claro que não pretende repetir o que considera um erro do pai.
Enquanto isso, já olha para 2030, admitindo disputar novamente a Presidência. A eleição acabou, mas a próxima campanha parece ter começado.
Há ainda uma disputa silenciosa pela liderança da direita. Flávio e Tarcísio de Freitas representam posturas diferentes diante do resultado eleitoral.
A oposição é necessária. Fiscalizar, criticar, denunciar e apresentar alternativas são funções indispensáveis ao equilíbrio democrático, mas oposição não significa alimentar permanentemente a desconfiança nas instituições.
O Brasil precisa discutir emprego, saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento e desigualdade social. Precisa de soluções, não de uma campanha eleitoral interminável.
Flávio recebeu milhões de votos e tem legitimidade para representar seus eleitores, mas legitimidade também significa responsabilidade. O mesmo vale para Lula, que recebeu das urnas o direito de governar, não um cheque em branco.
A democracia exige vencedores humildes e derrotados responsáveis. Afinal, o Brasil não pertence a Lula, a Bolsonaro ou a qualquer partido. Pertence aos brasileiros e estes merecem mais trabalho, menos ressentimento e, sobretudo, respeito à vontade popular.