O presidente Lula produziu uma daquelas frases que nascem em conversa informal, mas acabam ganhando vida própria na política. Durante a reunião do G7, na França, em diálogo com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula afirmou: “Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical”.
A fala foi captada pela transmissão oficial do evento e ocorreu quando Lula comentava o cenário político mundial. Segundo ele, “o mundo não é de esquerda”, mas do “caminho do meio”. Na sequência, o presidente lembrou suas relações históricas com o sindicalismo alemão, italiano e espanhol, tentando se apresentar mais como negociador pragmático do que como militante ideológico.
A frase, evidentemente, provoca debate. Lula é fundador do PT, símbolo da esquerda brasileira e líder político que construiu sua trajetória a partir do movimento sindical. Mas também é verdade que, no exercício do poder, sempre buscou diálogo com empresários, banqueiros, Congresso e lideranças internacionais. É essa imagem de moderação que ele tentou reforçar diante de líderes estrangeiros.
Antes disso, Lula havia defendido o sistema eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas, dizendo que outros países deveriam conhecer melhor o modelo adotado no Brasil.
No fim, a frase “nunca fui esquerdista” talvez diga menos sobre o passado de Lula e mais sobre o Lula que tenta se apresentar ao mundo neste momento: um político de centro possível, sindicalista de origem, negociador por método e pragmático por necessidade.
Lula diz que nunca foi esquerdista
3
