Marconi Perillo acertou em cheio ao trazer de volta Lula Guimarães para comandar sua comunicação. Trata-se de um dos profissionais mais experientes do marketing político brasileiro. Trabalhamos juntos na memorável campanha de Lúcia Vânia ao Senado, quando ela derrotou Iris Rezende Machado, resultado que parecia improvável. Mais tarde, Lula também esteve entre os estrategistas da campanha que levou João Doria à Prefeitura de São Paulo. Currículo, portanto, não lhe falta.
Suas primeiras declarações já revelam o caminho que pretende seguir. Em vez de discutir apenas obras e números, ele procura transformar a eleição em um debate sobre experiência administrativa. A tese é simples: apresentar Marconi como gestor testado em quatro mandatos e Daniel Vilela como uma incógnita na administração estadual. Ao mesmo tempo, tenta enfraquecer a associação entre Daniel e Ronaldo Caiado, cuja gestão mantém elevados índices de aprovação. Essa separação é estratégica, porque boa parte do capital político do atual governador está ligada justamente à continuidade do governo Caiado.
É uma linha de campanha inteligente. Se produzirá resultado, é outra história. Campanhas eleitorais são disputas de narrativas, mas também de realidade. A oposição tentará convencer o eleitor de que experiência pesa mais que continuidade. Já a situação buscará mostrar que a continuidade oferece mais segurança do que um retorno ao passado. A campanha mal começou, mas o primeiro movimento do tabuleiro já foi feito. E foi feito por alguém que conhece profundamente esse jogo. (Luiz Carlos Bordoni)