Violência contra a mulher: a estatística que envergonha o Brasil

Enquanto o Brasil comemora a menor taxa de mortes violentas dos últimos treze anos, um dado divulgado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela uma realidade dramática: os feminicídios bateram recorde em 2025. Foram 1.571 mulheres assassinadas simplesmente por serem mulheres, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Na prática, quatro brasileiras perderam a vida, todos os dias, vítimas da violência de gênero. É o maior número desde que o feminicídio passou a ser considerado crime, em 2015.

O contraste chama a atenção. As mortes violentas em geral caíram para 40.775 casos, o equivalente a 19,1 homicídios por 100 mil habitantes, o menor índice desde 2012. Vinte estados reduziram seus indicadores de violência. Goiás também apresentou avanços em diversos crimes. Mas, quando o assunto é feminicídio, a realidade muda completamente. O Estado registrou 59 vítimas em 2025, contra 56 no ano anterior. Em comparação com 2018, quando houve 36 casos, o crescimento chega a quase 64%.

Esses números mostram que as políticas tradicionais de segurança pública, embora importantes, têm limites muito claros. O combate ao roubo, ao tráfico e aos homicídios produz resultados nas ruas. Já o feminicídio acontece, na maioria das vezes, dentro de casa. O agressor costuma ser marido, companheiro, ex-companheiro ou alguém da própria família. Não é um crime que se combate apenas com viaturas circulando ou aumento do policiamento. Trata-se de uma violência silenciosa, marcada pelo controle, pelas ameaças e por agressões que muitas vezes evoluem durante anos antes de culminarem na morte.

O enfrentamento dessa tragédia exige uma rede permanente de proteção às mulheres. Delegacias especializadas, medidas protetivas que realmente funcionem, acolhimento às vítimas, rapidez da Justiça, educação para o respeito e participação da sociedade são peças da mesma engrenagem. A queda da violência no Brasil é uma boa notícia. Mas ela jamais será completa enquanto quatro mulheres continuarem sendo assassinadas todos os dias dentro do lugar que deveria ser o mais seguro do mundo: o próprio lar.

Related posts

Velomar busca modelo para atrair investimentos

Infantino quer criar a FIFA S/A

Novo oficializa Zema para presidente